Terça-feira, 13 de Abril de 2004

Portugueses





O que dizer de um povo cujo fundador quilhou a própria mãe?

Ficou marcado até hoje nos nossos genes. Nascemos assim e funcionamos assim.

Estamos todos na tintas para que um jagunço mal formado fez há quase mil anos, mas somos todos iguais ao original.



Agora aparecem os primeiros interessados nos terrenos que deixámos abandonados, gente dos países frios que procuram invernos mais amenos (Algarve à parte, este texto é sobre Portugal). Os espanhóis não estão interessados nisto, apenas querem abrir sucursais e os brasileiros procuram uma porta para a Europa.



Nós cá nos mantemos:

Queremos os estrangeiros para mamar alguma coisa.

Queremos a Câmara Municipal para mamar alguma coisa.

Queremos o Estado para mamar alguma coisa.

Queremos a Europa para mamar alguma coisa.

Queremos os Estados Unidos para mamar alguma coisa.

Fodemos tudo à nossa passagem para ter mais um ou dois tustos no bolso.

Como diz o outro - é dos livros.


Mal formados, mal orientados e mal educados; somos o nosso pior inimigo.


É genético e é eterno o facto de nos odiarmos a nós próprios. Nós não gostamos nunca gostámos nem nunca gostaremos de Portugal.

Portugal é um inimigo que temos que roubar antes que nos roube a nós, porque sempre foi assim e é assim que isto funciona.

Nós roubamos a própria mãe. Roubamos a velhota para ter umas férias com a catraiada e o olho na espanhola ou inglesa que se cruza connosco na praia.

Somos espertos e quem vier depois que limpe se quiser.


Não temos indentidade depois destes anos todos. Não queremos. Queremos ser assim e continuar a atirar o lixo para a nossa própria rua.


''Lá fora não, que eles tratam bem das coisas. A Câmara que limpe a rua, afinal é para isso que digo que pago impostos e que digo que votei nos outros. Nunca votaria nestes que lá estão, esses aldrabões.

A minha rua? moro junto ao Itenerário Complementar, o IC, sai-se junto à Galp e depois é contornar a rotunda com a estátua de mármore. Ando a pagar um T2 na Amadora, deixo o meu Dayoo em cima do passeio.

Ao domingo fico a ver a bola no canal do desporto, agora não saio de casa porque deixo sempre o carro perto da entrada do prédio e se o tirar um filho da puta rouba logo o lugar e tenho que o deixar no cú do Judas.

Os miúdos foram com a mãe ao shopping, o mais velho deve estar lá em baixo com os amigos aqui do bairro. Ou então está no quarto a mexer na internet. Logo que não traga pretos para casa. Não sou racista e até conheço um preto porreiro lá da firma.


Em agosto gosto de viajar, uma vez fui de avião a Cuba e exiji tudo a que tinha direito e deixei bem claro às hospedeiras que sou um gajo importante. Paguei um balúrdio pela viagem e as gajas estão ali para me servir. Sou um cidadão do mundo, pá. Conheço um gajo que faz as VTs no Big Brother. Quando vou à terra ninguém sabe o que quer dizer VT, e é isso que me deixa lixado. O país assim não avança.

Por essas e por outras é que nunca digo de onde sou e não mostro os meus pais. Sou da capital, desde pequeno sentia que era mais importante que aquela gente. Coitados, nem sabem o que perdem em não viver na capital. Não têm a Expo, as Docas... Belém, Caparica... São dimensões diferentes pá.

Ando a tentar convencer os velhotes a deixarem a terra e vir para cá, para o lar porreiríssimo ali em Algés, na avenida dos bombeiros. Mas não querem vender a propriedade da família que já não serve de nada.''


Foi uma força sobrenatural e inteligente que não nos permitiu ser mais do que um rectângulo minúsculo num canto. Tentou-se, com as descobertas, mas a ordem cósmica tratou de equilibrar tudo outra vez. As influências nefastas que deixámos no mundo, com o tempo estão a desaparecer.

Daqui não saímos e quando saímos não voltamos.

''Isto em Paris é que é pá''... e volta tudo ao mesmo.

publicado por pedrocs às 06:34
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