Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004

O espírito de funcionário público

É-me difícil conviver com o espírito de funcionário público.

Eu trabalho. O que não é o mesmo que dizer que estou a trabalhar 100% do tempo em que estou no escritório, mas naquilo que eu faço nunca tem havido falta de coisas para fazer e como, desde que comecei a trabalhar, sou resopnsável pela gestão do meu próprio tempo, tenho que ter atenção às tarefas, fazer previsões de ocupação de tempo e etc.

Mesmo nos dias em que não me apetece fazer nada, tenho que trabalhar. E isto não se passa apenas na empresa onde estou agora, sempre foi assim.

É portanto com ódio profundo que conheço casos ou ouço histórias daquelas pessoas que vivem o seu trabalho com aquele espírito tão conhecido no nosso país e apelidado "funcionalismo público". E mais uma vez estamos aqui a generalizar... eu odeio generalizações, mas por vezes são a maneira mais simples de transmitir uma ideia.

Vejamos, não se pode dizer que todas as pessoas que trabalham na Função Pública ajam da mesma maneira... de certeza que não, mas que existe uma grande fatia que o faz, existe, caso contrário não teria surgido o estereotipo.

Já sabemos como é: a pessoa chega a horas, todos os dias e perde uma certa parte da manhã a dispor objectos na secretária, a cumprimentar os colegas, a beber café e a dar uma vista de olhos nos sites favoritos.

Quando chega a hora de almoço, a técnica é sair para almoçar uma hora antes do chefe. Porque assim pode-se usufruir de duas horas de almoço, desde que se regresse cinco minutos antes do chefe, ele nunca saberá quanto tempo estivemos fora.

Eventualmente, depois de almoço é preciso fazer algum trabalho, qualquer coisa simples. Mas a técnica para não ter muito trabalho é implementar desde cedo uma tática de inflexibilidade: não posso, estou muito ocupado, para fazer isso tenho que largar aquilo. Mesmo que, evidentamente, não seja bem assim.

A partir das 4 horas, começa a contagem decrescente. Este tempo é passado a olhar para o relógio, à espera que sejam 5. Mandam-se uns mails com piadas para os amigos e lêem-se os mails com piadas enviados pelos amigos.

Às cinco horas é altura de arrumar as coisas. Tal como numa escola, em que toda a gente começava a arrumar as canetas pouco antes da saída, para se perder menos tempo de recreio, o funcionalista mete a carteira no bolso do casaco, arruma as canetas no copinho, põe o telemóvel ao cinto, enfim, vai arrumando as suas coisitas.

Ao toque das cinco e meia, até parece que tem molas no cu. Salta da cadeira e ala que se faz tarde pela porta fora. Amanhã há mais... do mesmo.

Eu não odeio horários... ou melhor eu ODEIO horários. Eu acredito que, se as pessoas fossem responsáveis pelo seu trabalho e se a gestão fizesse aquilo que é suposto, cada um poderia ser responsável pelo seu próprio horário, usufruindo de uma flexibilidade que só poderia aumentar a qualidade de vida de cada um de nós. Mas como o rebanho anda sempre à velocidade da ovelha mais lenta, levam os responsáveis pelos irresponsáveis e andamos assim todos a toque de pica-ponto.

O que eu queria dizer com "não odeio horários" é que acho muito bem que os horários, existindo, sejam cumpridos. E se o funcionalista público dá às de Vila Diogo ao toque da hora certa, eu e muitas outras pessoas deixamos passar o toque e mais uns quantos toques, antes de finalmente nos arrastarmos até casa.

Pessoas há até que chegam a trabalhar 24 horas de uma só assentada, hipotecando apenas a sua saúde mental.

Portanto acho que a verdade, como sempre, deve estar algures entre o tipo que chega, não faz nada e sai à tabela e o tipo que trabalha 12 horas por dia, todos os dias e ainda vai ao sábado acabar coisas.

Ou então, muito provavelmente, a verdade está numa ilha na Polinésia Francesa. É melhor eu ir lá ver...
publicado por pedrocs às 08:02
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15 comentários:
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 21:26
vai com calma senão ainda te esgotas. continua... xi e já agora escreve sobre a hiócrisia e aparências tb são cenas odiosassilviagil
(http://virofreiraoufufa.blogs.sapo.pt)
(mailto:silviagil2004@sapo.pt)
De delfim a 10 de Agosto de 2016 às 09:22
Com calma vão os funcionários públicos. A imagem que esta aqui é a realidade. So quem precisa de usar serviços públicos o ve. Porque será que os ministérios (Ex. que conheço Ministerios dos Negocios Estrangeiros e Ministério das Finanças) Contratam empresas externas de limpeza em que as funcionárias são pagas pelo mínimo dos mínimos, exploradas, para a limpeza ? Eu respondo: Porque onde 20 mulheres fazem o trabalho eram precisas 40 funcionarias publicas e não o fariam por causa da alianea A) alínea b) sindicato etc. Acabem mas é com o estado. Por favor
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 21:14
Dito Cujo, tu já sabes que eu odeio tudo. Odeio trabalhar, evidentemente, toda a gente sabe isso. Mas também odeio o "funcionário público". Eu nunca tenho inveja, odeio logo, é imediato.macacoraivoso
(http://odio.blogs.sapo.pt)
(mailto:macacoraivoso@sapo.pt)
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 11:33
Já agora, ó MacacoRaivoso, já há cura para os funcionários públicos. Na semana passada alguns cientistas andaram a mexer nos níveis de dopamina de macacos para estes deixarem de ser preguiçosos ("procrastinating") e passassem a ser "workahólicos"... Vê este link e vai para o fim da página: http://www.aps.org/WN/WN04/wn081304.cfm

E será coincidência que a experiência foi feita em macacos e tu te chamas Macaco Raivoso? Será que foste tu uma das cobaias e agora que estás workahólico escreveste esta entrada? Yupiii, já vejo mais uma teoria de conspiração ao fundo do túnel!

http://ditocujo.weblog.com.pt/Dito Cujo
(http://ditocujo.weblog.com.pt/)
(mailto:ditocujo@lycos.com)
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 10:55
Ó MacacoRaivoso, isso não é ódio aos funcionários públicos. É inveja. O ódio que tens é ao trabalho ;-) http://ditocujo.weblog.com.pt/Dito Cujo
(http://ditocujo.weblog.com.pt/)
(mailto:ditocujo@lycos.com)
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 08:47
LoL100Norte
(http://100norte.blogspot.com)
(mailto:100norte@100norte.pt)
De Anónimo a 17 de Agosto de 2004 às 08:14
E a minha resposta, foi ao espírito do blog, ò 100Norte. Aqui somos todos porcos. Odeio-te e tu já sabes.macacoraivoso
(http://odio.blogs.sapo.pt)
(mailto:macacoraivoso@sapo.pt)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2004 às 17:06
Quando me engano, corrijo. Prefiro ser eu a apontar os meus próprios erros antes que os outros se apercebam deles. E a correcção não era de modo algum uma crítica destrutiva, mas entoada segundo o espírito do blog que, aliás, sigo atentamente. Abraço100Norte
(http://100norte.blogspot.com)
(mailto:100norte@100norte.pt)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2004 às 16:47
E eu odeio conanas que não têm mais nada que fazer na vida triste e vazia senão apontar os enganos dos outros como provas de que estes "não sabem escrever". O que fará o 100Norte quando se engana num acento ou escreve mal uma palavra? Deves bater em ti próprio, não? Fustigas-te? Ah espera... tu já te deves fustigar de qualquer maneira... Odeio-temacacoraivoso
(http://odio.blogs.sapo.pt)
(mailto:macacoraivoso@sapo.pt)
De Anónimo a 16 de Agosto de 2004 às 13:51
Odeio gente que não sabe escrever!

Onde se lê "hajam" deveria ler-se "ajam". O verbo utilizado é o verbo "agir" e não o verbo "haver".100Norte
(http://100norte.blogspot.com)
(mailto:100norte@100norte.pt)
De Anónimo a 15 de Agosto de 2004 às 16:05
Portugal é o país da impunidade. ora o cavaco silva governou-nos (com maioria absoluta) durante os primeiros 9 anos de cee, é de lembrar que entrámos em 1986 tal como a espanha. Então não é que esse men andou a dizer que o principal objectivo dos tugas deverá ser atingir os niveis económicos dos espanhóis!!! alguém avise o chaval que foi ele que se atrasou!!! simplesmente ridiculo!!! Ora aqui vai uma idéia para lá irmos, despedir 66% da função pública e depois arranjar-lhes trabalho!! era obra.picamiolos
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(mailto:picapauvermelh@yahoo.com.br)

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